Alphaville 2007 d.C.

maio 7, 2009

Teaser do curta Alphaville 2007 d.C. (Paulinho Caruso, São Paulo, 2007, 16 min, 35mm)

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Olá a todos! + Programa 01

maio 6, 2009

Olá a todos! vamos começar o mês de maio com o programa “Deboche e Ironia” dentro da programação da Mostravideo do Itau Cultural em Vitória e Belo Horizonte.  Na sexta acompanho a exibição do primeiro programa e em seguida teremos um debate com a platéia.  A proposta para esse programa é analisar obras relativamente recentes da produção nacional, com duas paradas em décadas anteriores, sob o viés da ironia e do deboche. Nesse primeiro programa vamos de um extremo ao outro, começamos com a ironia mais ácida, corrosiva, quase mal-educada do filme Mato Eles? de Sérgio Bianchi.

Num documentário que se utiliza de recursos ficcionais para se fazer mais pungente, Bianchi realiza uma das grandes obras do documentário nacional, onde além de apresentar ao espectador a questão dos índios da reserva de Mangueirinha no Paraná, ele questiona os limites do que é documental, do que é verdade, se isso realmente importa num fime, enfim, ele vai além dos rótulos básicos, da falsa noção de que um documentário é a verdade.

Um dos objetivos da programação é cobrir o amplo espectro do riso do espectador, do amarelo à risada escancarada. Com Bianchi, começamos com um riso amarelo, envergonhado, que poderia se tornar choro em almas mais sensíveis. É, começamos com um chute no peito mesmo. É interessante perceber que por baixo do riso se esconde uma melancolia, um questionamento sobre o que se faz, onde se vive, a sua realidade.

O segundo filme é “Alphaville 2007 D.C.” de Paulinho Caruso. Através da recriação do audio do filme Aphaville de Jean-Luc Godard, Caruso propõe uma visão  apocalíptica e ao mesmo tempo escrachada da realidade brasileira.  Aqui, além da reflexão sobre a realidade que muitas vezes o deboche e a ironia proporcionam, questões sobre o fazer cinematográfico também são levantadas. Até que ponto uma obra termina em si mesma? e a apropriação/distorção do discurso alheio, é legítima? Esse discurso pode ser aplicado à minha realidade? Alphaville 2007 D.C. tem um gosto de rebeldia juvenil, que olha o real e se pergunta se ninguém reparou nisso antes. É ingênuo e contundente em sua ingenuidade.

O último filme do programa, é explicitamente auto-irônico (falei o óbvio, né?). Da mesma maneira que Alphaville 2007 D.C. dialoga com o fazer cinematográfico, “Os filme que eu não fiz” de Gilberto Scarpa é, apesar de toda a graça da brincadeira de um pseudo-diretor contando sobre seus projetos nunca realizados, uma reflexão um tanto dura sobre a classe cinematográfica. Quantos não são os projetos que se perdem no caminho? O que é fazer cinema no Brasil, depender de verbas públicas, suplicar por financiamento, gastar anos entre a criação, aprovação e captação de verbas para um projeto, que muitas vezes, no meio do caminho morre? O riso debochado do espectador diante de tal espetáculo vai emudecendo, azedando na garganta.

O próximo programa será o longa-metragem “Sem Essa Aranha” de Rogério Sganzerla.