Bate Papo dia 21 e 23

outubro 18, 2009

Alô amigos de Belo Horizonte e Vix (Vitória),

Mas alguns comentários sobre os filmes e vídeo de A Vida das Imagens,  Ivana Bentes

unorasolativorrei.Arquivos.16mmEstarei nesta quarta, dia 21 (no Palácio das Arte em BH) e na sexta dia 23 (Cine Metrópolis em Vitória-ES) para uma conversa sobre os filmes e vídeos da mostra  “A Vida das Imagens” que fiz curadoria para o Itáu Cultural. Para quem trabalha com filmes de arquivo e remix destaco vivamente os Programas 2, 3 e 4 com os filmes Passagem ao Ato; Happy End, Double Take e DIAL History, Cinema Espelho do Mundo, e Queria te ter só por uma Hora.

Ainda não falei do ” Cinema Espelho do Mundo”, da série de episódios do diretor vienense Gustav Deutsch, que faz um trabalho incrivel de levantamento de imagens do inicio do cinema em filmes de 30 minutos cada em vários episódios autônomos. “Welt Spiegel Kino” ( “World Cinema Mirror”)  é uma work in progress, com materiais found footage do primeiro cinema e tem até agora 3 episódios:  com materiais de Viena/Áustria,  em Porto/Portugal e na Indonésia.

Vamos exibir o Episódio 1 (Episode 1: Kinematograf Theater Erdberg, Wien 1912) que mostra tomadas panorâmicas históricas pelas ruas e praças de Viena, as massas absortas  nas ruas, como descreveu Walter Benjamin (na observação de Michael Loebenstein). De repente, na montagem de Deutsh, a câmera se detem sobre um desses transeuntes anônimos e cria um link para “personagens”, de filmes de ficção da época, fatos do período, fazendo associações extremamente criativas e inusitadas, apenas visuais, sem qq explicação. O material de arquivo se torna hipertextual e é “atualizado”, linkado, tornado o arquivo “vivo”.

As imagens históricas são sempre tomadas em torno de salas de cinema e as imagens mágicas dessas multidões em preto e branco, aflitas, velozes, contemplativas, frenéticas criam um estranho sentimento de nostalgia e precipitação do futuro, quando todos nós seremos também apenas imagens entre imagens.

Gustav Deutsch é um artista do video, instalações, com obras que exploram a fenomenologia do filme e a materialidade da película como suporte.


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Episode 1: Kinematograf Theater Erdberg, Wien 1912

Episódio 2: Apollo Theater, Surabaya 1929

Episódio 3: Cinema São Mamede Infesta, Porto 1930

Queria te Ter Só por Uma Hora

Outro filme que me chamou atenção desde a primeira vez que vi, no Festival de Locarno de 2002 (acompanhava AO no júri), na mostra competitiva foi Queria te Ter Só por Uma Hora (Un’ora sola ti vorrei)  da  italiana Alina Marazzi, que acabou premiado.

Ela usa filmes de família (rolos e rolos de 16mm), fotos, cartas, diários, prontuários médicos, gravações de sons, uma miríade de materiais de arquivo e as músicas italianas (com todo um repertório e carga sentimental ( como a derramada canção que dá nome ao filem http://www.youtube.com/watch?v=hr1IPFdCeW8&feature=related)) e que conseguem de forma surpreendente reconstituir fragmentos de sentido de imapsses de uma vida.  A vida (antes de Aline nascer e depois) da própria mãe da cineasta, que se suicidou em 1972, quando ela tinha 7 anos, numa família que parecia ter tudo.

unorasolativorrei.Mae Un'ora sola ti vorrei.Marazzi.Arquivos Un'ora sola ti vorrei.Marazzi.arquivo2

Os links para os trailler e trechos desses filmes estão no meu canal do You Tube Hipercampo http://www.youtube.com/user/hipercampo

DIAL History http://www.youtube.com/user/hipercampo#p/a/f/0/AMsLFCP0Fso

Double Take http://www.youtube.com/watch?v=pCKyyb_3VX0&feature=related

Traillee Queria Te ver só por uma hora http://www.youtube.com/watch?v=md6Wb1JXZvE&feature=fvw

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Alguns comentários sobre os filmes que selecionei para a mostra A Vida das Imagens

outubro 8, 2009
 
A maioria dos filmes do Programa 1  – “Experiências visuais” são  de videos curtissimos e experimentais, três deles exibidos na Mostra Némo de 2008, o encontro de multimidia  da ARCADI francesa, uma Associação toda voltada para a criação e experimentaçnao artística.

Strata #

quayola_strata1_1

Nesse programa escolhi obras que apontam para as possibilidades estéticas das imagens digitais (Strata #1, Energia! Wingbeats) e que podem ser vistos no  DVD Expérience (s) 04 (Chalet Ponti & Repérages).

Também escolhi três trabalhos brasileiros que gosto muito: Copérnico I: Paisagem com Figura, do Daniel Augusto e Eduardo Climachauska, uma demonstração de um estranho dispositivo/artefato audiovisual, Iluminai os Terreiros, do Eduardo Climachauska, Gustavo Moura e Nuno Ramos, um  video/instalação todo feito com projeções de luz em espaços e paragens ermas e Hamlet no Porto , de Arthur Omar que funciona como um video intrigante sobre a precipitação do tempo no espaço (uma imagem carregada de micro-acontecimentos) e tem uma versão para instalação (ver em http://www.arthuromar.com.br/porto.html)

Passagem ao Ato

Passage.a.lacte.Pick-up06G Dentro dessa onda do Remix, o video Passagem ao Ato, de Martin Arnold é uma obra prima, vejo e revejo esse trabalho com enorme prazer, tem uma inteligência visual e um ritmo/repetição/manipualção de cada frame das imagens totalmente alucinante, criando uma patologia visual para a neurose familiar. Vjing radical.

No Programa 2  – Histórias/ficções, os dois trabalhos escolhidos são extremamente originais no uso das imagens de arquivos. Happy End , de Peter Tscherkassky Happy-Endé um achado, literalmene, pois as imagens do casal que se filma regularmente são  found footage,

“achadas”, sem autoria, e revelam o que todos podemos imaginar, o cinema íntimo e anônimo que está sendo feito em zilhões de imagens e câmeras caseiras, e que não necessariamente virá a luz.  Happy End é um desses filmes desconcertantes.

Double Take

 

E fechar esse programa exibindo o último longa de Johan Grimonprez, Double Take, lançado em 2009,  é um privilégio. Entramos em contato com o diretor para exibir  DIAL HISTORY e ele nos deu a oportunidade de lançar Double Take no Brasil, nesta mostra. Grimonprez vem pesquisando a “vida das imagens” nas suas mais diferentes formas. As imagens nos possuem, seduzem, aterrorizam, nos deus filmes. Vivemos entre imagens e somos imagens entre imagens.  Nós que amamos as imagens e não sofremos de iconofobia, mas de iconofilia, encontramos nos seus filmes esse pensamento audiovisual, uma inteligência visual e sonora que nasce na edição e na construção dessa midiosfera em que as imagens nascem, crescem, se reproduzem,  proliferam, se encadeiam produzindo sentidos perturbadores. E a idéia de Hitchcock-ator, personagem, em meio a memorabilia televisiva e cinematográfica americana entre anúncios de Tv e o auge da Guerra Fria,  só sublinha a inteligência politica e o pensamento audiovisual sutil de Grimonprez

Vejam um trecho de Double Take, de Johan Grimonprez no You Tube  http://www.youtube.com/watch?v=pCKyyb_3VX0&feature=related.

E até mais!

Double Take

Grimonprez_Double_Take_Still

Ivana Bentes


Ilustração de outubro

outubro 5, 2009

A ilustração selecionada do mês de outubro é de Gui Athayde.

dados da ilustração: nankin e ilustração digital/vetorial.


A vida das imagens

setembro 29, 2009

Ao longo da história do cinema e do vídeo, as imagens ganharam cada vez mais autonomia, extrapolaram o campo da representação e, por fim, se tornaram sujeitos, personagens. “Forma que pensa”, que afeta e é afetada, a imagem está carregada, entre outras coisas, de todas as qualidades e potencialidades dos seres vivos.

 Esta edição de outubro da Mostravídeo aponta para a imagem experimentada como sujeito. Os filmes e vídeos escolhidos – de diferentes épocas, períodos e autores – dão visibilidade às imagens integradas ao território urbano e investidas de afeto, corpo, pensamento.

 As obras aqui presentes refletem esse “cinema-mundo” das ruas, da vida pública e privada. Cinema-mundo que se tornou a nossa própria vida.

Ivana Bentes
curadora

 

Ivana Bentes é doutora em comunicação, pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), curadora de cinema, arte e tecnologia e organizadora dos livros Ecos do Cinema – de Lumiere ao Digital (UFRJ, 2008) e Corpos Virtuais – Arte e Tecnologia (Oi Futuro, 2006). Atua no campo do audiovisual, da cultura digital, da comunicação e das novas mídias.