Rastros e Retratos #1 – Ross McElwee


Tudo num filme é uma forma
– nos lembra o cineasta Johan van der Keuken, ao fim de seu retrato poético do jovem Herman Slobbe. A reflexão do realizador holandês repercute para além do seu próprio filme como uma dúvida, um enigma. De que, afinal, são feitas essa formas? Que vestígios e vibrações elas guardam da realidade material? Mais ou menos cientes dessas questões – e mais ou menos preocupados em respondê-las – os trabalhos da Mostravídeo do mês de outubro investigam as diferentes maneiras pelas quais esses indícios da realidade se depositam nas imagens dos filmes. No diário filmado de Ross McElwee e no meticuloso ensaio de Hartmut Bitomsky, essa relação é abordada diretamente, fazendo das imagens não apenas tema, mas suas próprias ferramentas de análise. Numa chave completamente diferente, os filmes de Jean-Daniel Pollet e Johan van der Keuken (sessão 2), assim como as experiências íntimas do cinema de vanguarda (sessão 4), procuram incorporar esses vestígios à sua própria estrutura formal – constituem, ao mesmo tempo, registros documentais e espaços sensíveis, retratos da realidade e ritos de evocação da memória.

Sessão 1
Conciliando a documentação obsessiva de seu próprio cotidiano com a ironia e a espirituosidade de seus comentários, o cineasta americano Ross McElwee desenvolveu um estilo bastante peculiar de registro documental e autobiográfico. Seus seis principais longas, separados por um espaço de quase 20 anos (1984-2003), documentam fartamente aspectos de sua vida íntima, afetiva e profissional, vivenciados em boa parte com a câmera ligada sobre os ombros. Longe de afetações ou maneirismos, seus filmes são marcados pela inteligência e pela simplicidade de suas reflexões – frequentemente associadas a fatos sociais ou históricos mais abrangentes – e pela cumplicidade incomum que são capazes de estabelecer com o espectador.

Six O’Clock News
Ross McElwee, Estados Unidos, 1996, 90 min, DVD
O realizador atravessa de carro os Estados Unidos enquanto registra seu cotidiano e as histórias catastróficas que alimentam os noticiários televisivos, desenvolvendo uma reflexão pessoal e afetiva sobre a mídia, a mortalidade e a teologia ao estilo americano.

Em BH | 06 de outubro, quarta, 19h30, no Palácio das Artes
Em Curitiba | 07 de outubro, quinta, 19h30, no Paço da Liberdade

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