Alguns comentários sobre os filmes que selecionei para a mostra A Vida das Imagens

 
A maioria dos filmes do Programa 1  – “Experiências visuais” são  de videos curtissimos e experimentais, três deles exibidos na Mostra Némo de 2008, o encontro de multimidia  da ARCADI francesa, uma Associação toda voltada para a criação e experimentaçnao artística.

Strata #

quayola_strata1_1

Nesse programa escolhi obras que apontam para as possibilidades estéticas das imagens digitais (Strata #1, Energia! Wingbeats) e que podem ser vistos no  DVD Expérience (s) 04 (Chalet Ponti & Repérages).

Também escolhi três trabalhos brasileiros que gosto muito: Copérnico I: Paisagem com Figura, do Daniel Augusto e Eduardo Climachauska, uma demonstração de um estranho dispositivo/artefato audiovisual, Iluminai os Terreiros, do Eduardo Climachauska, Gustavo Moura e Nuno Ramos, um  video/instalação todo feito com projeções de luz em espaços e paragens ermas e Hamlet no Porto , de Arthur Omar que funciona como um video intrigante sobre a precipitação do tempo no espaço (uma imagem carregada de micro-acontecimentos) e tem uma versão para instalação (ver em http://www.arthuromar.com.br/porto.html)

Passagem ao Ato

Passage.a.lacte.Pick-up06G Dentro dessa onda do Remix, o video Passagem ao Ato, de Martin Arnold é uma obra prima, vejo e revejo esse trabalho com enorme prazer, tem uma inteligência visual e um ritmo/repetição/manipualção de cada frame das imagens totalmente alucinante, criando uma patologia visual para a neurose familiar. Vjing radical.

No Programa 2  – Histórias/ficções, os dois trabalhos escolhidos são extremamente originais no uso das imagens de arquivos. Happy End , de Peter Tscherkassky Happy-Endé um achado, literalmene, pois as imagens do casal que se filma regularmente são  found footage,

“achadas”, sem autoria, e revelam o que todos podemos imaginar, o cinema íntimo e anônimo que está sendo feito em zilhões de imagens e câmeras caseiras, e que não necessariamente virá a luz.  Happy End é um desses filmes desconcertantes.

Double Take

 

E fechar esse programa exibindo o último longa de Johan Grimonprez, Double Take, lançado em 2009,  é um privilégio. Entramos em contato com o diretor para exibir  DIAL HISTORY e ele nos deu a oportunidade de lançar Double Take no Brasil, nesta mostra. Grimonprez vem pesquisando a “vida das imagens” nas suas mais diferentes formas. As imagens nos possuem, seduzem, aterrorizam, nos deus filmes. Vivemos entre imagens e somos imagens entre imagens.  Nós que amamos as imagens e não sofremos de iconofobia, mas de iconofilia, encontramos nos seus filmes esse pensamento audiovisual, uma inteligência visual e sonora que nasce na edição e na construção dessa midiosfera em que as imagens nascem, crescem, se reproduzem,  proliferam, se encadeiam produzindo sentidos perturbadores. E a idéia de Hitchcock-ator, personagem, em meio a memorabilia televisiva e cinematográfica americana entre anúncios de Tv e o auge da Guerra Fria,  só sublinha a inteligência politica e o pensamento audiovisual sutil de Grimonprez

Vejam um trecho de Double Take, de Johan Grimonprez no You Tube  http://www.youtube.com/watch?v=pCKyyb_3VX0&feature=related.

E até mais!

Double Take

Grimonprez_Double_Take_Still

Ivana Bentes

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One Response to Alguns comentários sobre os filmes que selecionei para a mostra A Vida das Imagens

  1. Rob Cruz disse:

    Ola Ivana
    parabéns pela sua curadoria. A seleção ficou ótima, com trabalhos raríssimos e incríveis.
    abs
    Roberto

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