Seu Manoelzinho e Francisco Abreu, bravos realizadores!

A Dama da Lagoa, de Francisco Abreu

No segundo programa da Mostravídeo de novembro, foram selecionados dois filmes pretensamente de horror com características relativamente semelhantes: o capixaba “Loreno contra o espantalho assassino” (Manoel Loreno, 1989, Mantenópolis, ES) e o mineiro “A dama da lagoa” (Francisco Caldas de Abreu Jr, 1997, Pedralva, MG).

No caso de “O Espantalho”, temos algo que se parece remotamente com um slasher movie sobrenatural no qual um fantasma chega a uma cidade para se vingar daqueles que o assassinaram. Ocorre que a evidente pouca familiaridade do diretor e do elenco com os códigos cinematográficos e o repertório cultural muito particular dos envolvidos produzem um resultado absolutamente incomum, revelando uma luta constante para contar-se uma história relacionada ao gênero narrativo do horror e ao mesmo tempo dar conta de aspectos muito específicos locais.

Já “A dama da lagoa”, embora também revele as mesmas dificuldades e idiossincrasias locais, traz um realizador que parece conhecer um pouco melhor a tecnologia e a linguagem audiovisual, o que dá ao seu filme de assombração um aspecto um pouco mais linear e tradicional em relação ao gênero.

Em ambos os casos, é inegável a apropriação dos clichês midiáticos do horror por produções audiovisuais  de comunidades do interior do país em busca de algum tipo de auto-representação a partir de uma articulação dos aspectos locais com aquilo que é visto (sobretudo) na programação da televisão aberta nacional.

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